Fleepy – Um Cliente para a API do Fleep

Para quem não sabe, Fleep é um chat que tem como foco ser simples, rápido e almeja substituir o seu email. Já tendo usado Fleep, Slack e Hipchat, todos eles possuem diferentes casos de uso. Mas se você ou seu time precisa lidar com muita gente de fora da sua organização, Fleep é certamente algo a ser considerado já que a sua integração com email é um recurso que permite você adicionar convidados usando seus emails sem que eles necessitem ter uma conta no Fleep ou a aplicação instalada.

Dito isso, estou desenvolvendo um projeto para a Universidade de Tartu e esse projeto necessita que eu use a API do Fleep. É uma API RESTful simples, porém eu não consegui achar um cliente atualizado para ela. Então resolvi criar essa biblioteca em um par de dias.

Ela é extremamente simples e tenta espelhar a API da maneira mais fiel possível.

Alguns exemplos:

Criar uma sala de chat com um tópico e mensagem inicial

O exemplo abaixo loga, cria uma sala de chat com 3 pessoas e envia uma mensagem. A mensagem usa recursos de estilo do Fleep, você pode vê-los aqui.

from fleepy import Fleepy
 
api = Fleepy()
api.account.login("your@email.com", "yourpassword")
 
 
api.conversation.create(
    topic='This is a Room Topic',
    emails=['your@email.com', 'guest1@email.com', 'guest2@email.com'],
    message="""*Hello*, everyone!
 
    Something has just been posted in our Issue tracker.
 
    http://issue.tracker.com<>
    """)
 
api.account.logout()

Fazendo o upload de um arquivo

from fleepy import Fleepy
 
api = Fleepy()
api.account.login("your@email.com", "yourpassword")
 
api.file.upload('/path/to/afile.jpg')
api.account.logout()

O código se encontra em https://github.com/nicholasamorim/fleepy

Arquitetura/Engenharia de Software na Teoria, na Prática, na Guerra

Aviso: Foco em Python. Links em inglês.

Então. Pensei que podia compartilhar uma coleção excelente de vídeos e blogs de engenharia de grandes empresas (Instagram, PayPal, Dropbox, etc…). Nada demais ou segredo, só um post centralizado com algumas coisas interessantes.

Não tem muitos vídeos sobre uma ferramenta “Tal” ou “Aquela Outra Lá” e sim vídeos em um nível mais conceitual. É o que prefiro assistir. Acredito que se você tem um entendimento profundo sobre um determinado tipo de problema, o resto são só ferramentas. Em outras palavras, é primeiro preciso descobrir  se aquilo é de fato um prego para só então correr atrás do martelo.

Entretanto, os blogs de engenharia comumente entram em um pouco mais de detalhes sobre uma ferramenta ou outra. Mas a parte importante é sempre entender porquê escolheram usar uma coisa e não outra. É engraçado perceber enganos que eles cometeram, coisas que às vezes achamos ser impossíveis nesses lugares cheios de talentos.

A escolha de novas (porém testadas) tecnologias pode cumprir um grande papel. Em tempos tão competitivos, pode ser uma advantagem possuir um certo tipo de know-how em tecnologia cutting edge (não tanto, mas vá lá…).

E bem, achei que alguém poderia fazer bom uso disso. Isso é conhecimento no que acredito ser sua mais pura forma: comunitário. Então continuo a passar em frente.

Para os vídeos, eu criei uma playlist (continuarei a adicionar coisas):

https://www.youtube.com/playlist?list=PLm5JiQ4yORZoml627aVKiNa4SO3g9p0l8

Lista de blogs de engenharia:

http://nerds.airbnb.com/
http://techblog.netflix.com/
https://www.paypal-engineering.com/
http://blog.echen.me/
https://codeascraft.com/
https://blogs.dropbox.com/tech/
http://engineering.tumblr.com/
http://code.flickr.net/
http://engineering.quora.com/
https://blog.twitter.com/
http://engineering.foursquare.com/
http://engineering.heroku.com/
http://highscalability.com/
http://instagram-engineering.tumblr.com/
http://engineering.linkedin.com/blog
http://engineering.pinterest.com/
http://feeds.feedburner.com/soundcloudapiblog
https://corner.squareup.com/
https://github.com/blog
http://engineeringblog.yelp.com/

Três agregadores de blogs de Python:

http://planetpython.org/
http://planet.twistedmatrix.com/
http://wiki.python.org.br/planet/

Um agregador de vídeos de conferências de Python (PyCon, DjangoCon, etc…):

http://pyvideo.org/

Se você não sabe, existem vários livros (muito) bons sobre Python e seus usos:

Dive into Python
Think Python
The Hitchhiker’s Guide to Python
Think Complexity
Think Stats
Guide to Data Mining
Test-Driven Development with Python
Text Processing in Python
BioPython Tutorial and Cookbook
Guide to Python Standard Library
Natural Language Processing with Python
Programming Computer Vision with Python

Não é Python, mas é incrível:

The Architecture of Open Source Applications

Python e Algoritmos:

Problem Solving with Algorithms and Data Structures
Data Structures and Algorithms with Object-Oriented Design Patterns in Python

Arte & Medo – Parte I – Capítulo III

III.

MEDOS DE VOCÊ MESMO

Nós encontramos o inimigo e ele é nós.
– Pogo

Adiante há uma larga expansão do rio, fluindo rapidamente. O remador tendo aprendido seu ofício somente recentemente, nervosamente manobra a evitar a única pedra rio abaixo. A pedra está bem no centro, a corrente é calma em ambos os lados dela. Você assiste da costa. O remador vai para a esquerda. Vai para a direita. E então bate em cheio na pedra. Quando você age motivado pelo medo, seus medos se tornam realidade.

Medos sobre fazer arte caem em duas famílias: medos de você mesmo e medos da sua recepção pelos outros. Em geral, medos de você mesmo te previne de fazer seu melhor trabalho, enquanto medos de como os outros verão o que você faz te previne de fazer o seu próprio trabalho. Ambos casos podem vir em muitas formas, algumas das quais você talvez ache familiar.

FINGINDO

O medo de que você está somente fingindo fazer arte é (previsivelmente) consequência de duvidar das suas próprias credenciais artísticas. Afinal, você sabe mais do que nenhuma outra pessoa sobre a natureza acidental de muito do que faz na sua arte, sem mencionar todos os elementos que você sabe que se originaram em outros (e ainda mais outros que não eram sua intenção, mas que a audiência viu em seu trabalho). Desse ponto é um simples pulo para você se sentir que ainda não é nada a não ser um aprendiz de artista. É fácil de imaginar que artistas verdadeiros sabem o que eles estão fazendo, e que eles – diferentemente de você – estão intitulados a se sentirem bem a respeito deles mesmo e de sua arte. Medo de que você não seja um artista real faz com o que você subestime o seu trabalho.

O abismo aumenta ainda mais quando o seu trabalho não está indo bem, quando acidente felizes não estão acontecendo ou intuições não estão te levando a lugar nenhum. Se você acreditar na premissa que arte só pode ser feita por pessoas extraordinárias, esses períodos simplesmente servem para confirmar que você não é um deles.

Antes de jogar tudo para o alto por um trabalho qualquer, todavia, considere as dinâmicas em jogo aqui. Tanto fazer arte quanto ver arte requerem um investimento massivo de energia. Em momentos de fraqueza, o mito do extraordinário provê uma desculpa para um artista desistir de tentar fazer arte e dá também uma desculpa a quem vê para parar de entender a arte.

Enquanto isso, artistas que continuam frequentemente se tornam perigosamente auto-conscientes sobre sua arte. Se você duvida que isso possa ser um problema, simplesmente tente trabalhar intuitivamente (ou espontaneamente) enquanto auto-conscientemente pesa o efeito de cada ação sua. A prevalência cada vez maior de arte reflexiva – arte que olha para dentro, tendo ela mesmo como assunto – ilustra em algum degrau que artistas podem simplesmente estar transformando esse obstáculo em uma vantagem. Arte-que-é-sobre-a-arte por sua vez criou toda uma nova escola de críticos de arte construída sobre a verdadeira porém limitada ideia de que aritstas continuamente “redefinem” a arte através do seu trabalho. Essa aproximação trata “o que é arte” como um tópico legítimo, sério e até mesmo espinhoso, mas gasta pouca energia na questão “o que é fazer arte”.

Claramente existe algo desbalanceado aqui. Afinal, se houvesse uma contínua redefinição de “o que é xadrez”, você provavelmente se sentiria um pouco apreensivo em começar a jogar xadrez. Claro que você pode sempre continuar a jogar se limitando a umas poucas jogadas fáceis que já viu funcionarem para os outros. E aí então concluir que já que não pode ter certeza do que o xadrez é, você não poderia ser um jogador real de xadrez e estava somente a fingir jogar ao mover peças. Você pode até secretamente desejar perder por achar que merece perder. Se esse cenário soa irreal para xadrez, infelizmente, é desanimadoramente comum em arte.

Mas enquanto você pode sentir que está só fingindo que é um artista, não há maneira de fingir que você está fazendo arte. Vá em frente, tente escrever uma história enquanto finge que está escrevendo uma história. Não é possível. Seu trabalho pode não ser o que curadores queiram exibir ou editoras queiram publicar, mas essas são questão completamente diferentes. Você faz trabalhos bons ao fazer muitos trabalhos que não são bons e a gradualmente capinar o que não é bom, as partes que não são suas. É chamado de feedback e é a rota mais direta para aprender sobre sua própria visão. É também chamado de fazer o seu trabalho. Afinal, alguém tem que fazer o seu trabalho e você é a pessoa que está mais perto.

TALENTO

Talento, em dialeto popular, é “o que vem fácil”. Então cedo ou tarde, inevitavelmente, você alcança o ponto que o trabalho não vem fácil e – Aha!, é exatamente como você tinha medo!

Errado. Por definição, qualquer coisa que você tenha é exatamente o que você precisa para produzir seu melhor trabalho. Não há provavelmente desperdício de energia do que se preocupar em quão talentoso você é – e provavelmente não há preocupação mais comum. Isso é verdadeiro até entre artistas de consideráveis conquistas.

Talento, se qualquer coisa, é um dom e não é nada do que o artista fez. Essa ideia não é nova: Platão dizia que toda arte é um presente dos deuses, canalizados através de artitas que estavam “fora de suas cabeças” – literalmente, na visão de Platão – quando faziam arte. Platão, entretanto, não é o único filósofo do quarteirão; enquanto suas descrições relacionam-se bem com o funcionamento do Oráculo de Delphi, eruditos idiotas e certos evangelistas de TV, é difícil de conciliar essa ideia com os eventos reais do mundo.

Se talento fosse pré-requisíto, então quanto melhor a arte, mais fácil teria de ter sido feita. Mas tristemente, o destino raramente é tão generoso. Para cada artista que desenvolveu uma visão madura com graça e velocidade, inúmeros outros laboriosamente nutriram sua arte com períodos fértis e períodos secos, através de falsos começos e explosões, através de sucessivas e significativas mudanças de direção, mídia e assunto. Talento pode fazer com alguém saia dos fundamentos básicos mais rápidos, mas sem um senso de direção ou um objetivo para mirar, não conta muito. O mundo é cheio de pesoas que foram dadas absurdos talentos naturais e ainda assim nunca produzem nada. E quando isso acontece, o mundo não se importa mais com aqueles que são talentosos.

Ainda no caso em que o talento se mantenha uma constante, aqueles que se confiam no talento somento e não desenvolvem-o adiante, rapidamente alcançam o auge e logo desaparecem na obscuridade. Exemplos de gênios simplesmente acentuam a verdade. Jornais adoram imprimir histórias de garotos de cinco anos que são prodígios musicais, mas você raramente lê que um deles está em seu caminho para se tornar o próximo Mozart. O ponto aqui é que qualquer que seja o talento inicial, Mozard também foi um aritsta que aprendeu a trabalhar no seu trabalho, e então melhorou. Nesse ponto, ele compartilha coisas com todos nós. Artistas ficam melhor ao afiar suas habilidades ou ao adquirir novas habilidades; eles ficam melhores ao aprender a trabalhar e ao aprender com o seu trabalho. Eles se comprometem com seu trabalho e agem sobre esse comprometimento. Então quando você pergunta, “Então porque não vem fácil para mim ?”, a resposta provavelmente é, “Porque fazer arte é difícil!”. O que você acaba por se importar é com o que você faz, não se veio fácil ou difícil.

UMA BREVE DIGRESSÃO NA QUAL OS AUTORES TENTAM RESPONDER (OU DESVIAR) UMA OBJEÇÃO:

P: Você não está ignorando o fato de que pessoas diferem radicalmente em suas habilidades ?
R: Não.
P: Mas se as pessoas diferem, e cada uma delas fizesse o seu melhor trabalho, não seriam os mais talentosos aqueles com os melhores trabalhos ?
R: Sim. E esse não seria um ótimo lugar para viver ?

Talento é uma cilada e uma ilusão. No final, as questões práticas sobre talento se tornam essas: Quem se importa ? Quem saberia ? E que diferença isso faz ? E as respostas práticas são: Ninguém, Ninguém e Nenhuma.

PERFEIÇÃO

O professor de cerâmica anunciou no dia da abertura que ele estava dividindo a classe em dois grupos. Todos os que estavam no lado esquerdo do estúdio, ele disse, seriam avaliados simplesmente pela quantidade de trabalho produzido, todos a direita, seriam avaliados pela qualidade. Seu procedimento era simples: no dia final da classe ele traria a balança que tinha em seu banheiro e mediria o peso do trabalho do grupo da “quantidade”: 22 quilos de jarras seria um “A”, 18 quilos seriam um “B” e assim por diante. Aqueles que levariam notas por “qualidade”, entretanto, precisavam produzir somente uma jarra – uma perfeita – para conseguir um “A”. Bem, chegou a avalição e um fato curioso foi constatado: os trabalhos de maior qualidade foram todos produzidos pelo grupo da quantidade. Parece que enquanto o grupo da quantidade estava ocupadamente cuspindo pilhas de trabalho – e aprendendo com seus enganos – o grupo da qualidade havia sentado a teorizar sobre perfeição e no final tinham pouco mais para mostrar do que teorias grandiosas e uma pilha de argila morta.

Se você pensa que bom trabalho é de alguma maneira sinônimo com trabalho perfeito, você está prestes a ter problemas. Arte é humana, erro é humano, ergo, arte é erro. Inevitávelmente, o seu trabalho (como o silogismo anterior) será falho. Porquê ? Porquê você é um ser humano e somente seres humanos, falhos e tudo o mais, fazem arte. Sem falhas não seria claro o que você seria, mas claramente você não seria um de nós.

No entanto, persiste entre artistas (e muitos ex-artistas) a crença de que fazer arte significa fazer as coisas sem falhas – ignorando o fato de que esse prerequísito desqualificaria automaticmente a maior parte dos trabalhos de arte. De fato, é muito mais plausível avançar o contra-princípio, aquele que imperfeição não é somente um ingrediente comum, mas sim essencial. Ansel Adams, um que não confunde perfeição com precisão, frequentemente relembrava o velho adágio que “a perfeição é inimigo do bom”, o ponto dele sendo de que se ele esperasse que tudo na sua fotografia fosse perfeita, ele provavelmente nunca tiraria a foto.

Adams estava certo: exigir perfeição é convidar a paralisia. O padrão é previsível: ao ver erro no que fez, você começa a guiar o seu trabalho ao que você acha que pode fazer perfeitamente. Você se agarra cada vez mais ao que você já sabe, longe do risco e da exploração e possivelmente para mais longe do trabalho do seu coração. Você acha razões para procrastinar, já que não trabalhar é não cometer enganos. Acreditar que sua arte deveria ser perfeita, você gradualmente se convence que você não pode fazer tal trabalho. (Você está certo.) Cedo ou tarde, já que você não pode fazer o que você quer, você desiste. E em uma daquelas pequenas e perversas ironias da vida, só o padrão em si atinge perfeição – um espiral perfeito da morte: você guia mal o seu trabalho, você para; você desiste.

Exigir perfeiçAo é negar sua ordinária (e universal) humanidade, como se você fosse ser melhor sem ela. Ainda assim, é essa humanidade a fonte derradeira do seu trabalho; seu perfeccionismo nega a você exatemente o que você precisa para finalizar o seu trabalho. Continuar com o seu trabalho exige o reconhecimento de que a perfeição é (paradoxalmente) um conceito falho. Para Einstein, até mesmo a construção perfeita das fórmulas matemáticas renderam-se a sua observação de que “Até onde as leis da matemática se referem a realidade, elas não são infalíveis; e até onde elas são infalíveis, elas não se referem então a realidade.” Para Darwin, evolução revelou que uma estratégia perfeita de sobrevivência de uma geração poderia se tornar, em um mundo que muda, uma deficiência para a sua prole. Para você, a semente do seu próximo trabalho de arte está lá misturada as imperfeições da sua peça atual. Tais imperfeições (ou enganos, se você está se sentindo particularmente depressivo a respeito delas hoje) são seus guias – valorosos, confiáveis, objetivos, não te julgam – a coisas que você precisa reconsiderar ou desenvolver mais. É precisamente essa interação entre o ideal e o real que trava sua arte no mundo real e dá sentido a ambos.

ANIQUILAÇÃO

Para a maior parte dos artistas, encarar um período de seca é um golpe sério; para alguns seria o equivalente a aniquilação. Alguns artistas se identificam tão intimamente com seu trabalho que se eles parassem de produzí-lo, eles temem que passariam a ser nada – que deixariam de existir. Nas palavras de John Barth, “É o terror de Scheherazade: o terror de contar histórias com sua própria vida. Eu entendo essa metáfora com a medula dos meus ossos.”

Alguns evitam esse abismo auto-imposto ao se tornarem estupendamente produtivos, cuspindo trabalhos em quantidades que surpreende até amigos próximos (e posivamente enerva seus iguais!). Eles trabalham passionalmente, como se estivessem possuídos – e você também não o faria, se soubesse que isso é tudo que mantém a Morte do outro lado do rio ?

Outros, não menos, tem uma aproximação racional e de professionalismo: precisos, implacáveis e destinatados restritivamente a fazer arte – que, de fato, podem ser muito bons nisso. Registros indicam que Anthony Trollope metodicamente rascunhava exatamente 49 páginas por semana – 7 por dia – e era tão obcecado em manter essa agenda que se ele terminasse um livro pela manhã, ele já escrevia o título para um novo livro em uma planilha e labutava implacavalmente até completar sua cota do dia. E por experiência pessoal, os autores podem atestar que Brett Weston, um caso de estudo virtual em aniquilação, por déadas manteu em sua casa uma exibição contínua de uma dúzia ou mais de fotos, nenhuma das quais jamais era mais velha que seis meses.

Ainda assim, devem haver muitos destinos piores que a inabilidade de parar de produzir arte. O artista que teme aniquilação talvez desenha a linha entre fazer e ser um tanto quanto parecidas demais, mas esse é mesmo um caso de ter muito de uma coisa boa. Aniquilação é um medo existencial: o medo – mas acentuado aqui – comum de que uma parte de você morre quando você para de fazer arte. E é verdade. Não-artistas podem não entender isso, mas artistas (especialmente aqueles que estão empacados) entendem bem demais. A profundidade da nossa necessidade em fazer coisas estabelece o nível do risco em não fazê-las.

MÁGICA

“Há um mito entre amadores, otimistas e tolos que após um certo nível de conquista, artistas famosos retiram-se para um tipo de Elísio onde criticismo já não dói mais e o trabalho se materializa sem esforço.”
– Mark Matousek

Em um teatro escuro o homem de smoking acena suas mãos e um pombo aparece. Nós chamamos isso de mágica. Em um estúdio ensolarado um pintora acena suas mãos e um mundo inteiro toma forma. Nós chamamos de arte. As vezes a diferença não é clara. Imagine que você acabou de ir a uma exibição e viu trabalhos tão poderosos e coerentes, trabalho que tem alcance e propósito. A Afirmação do Artista emoldurada perto da porta é clara: esses trabalhos materializaram-se exatamente como o artista os concebeu. O trabalho é inevitável. Mas espera aí – o seu trabalho não parece inevitável (você pensa), e então você começa a imaginar: talvez fazer arte requer algo especial ou até mesmo mágico que eu não tenho.

A crença de que arte “verdadeira” possuí algum ingrediente mágico indefínivel coloca pressão em você para provar que seu trabalho contém o mesmo. Errado, muito errado. Pedir ao seu trabalho para provar qualquer coisa simplesmente o convida a condenação. Além do mais, se artistas compartilham uma visão comum da mágica, é provavelmente a suspeita fatalista de que quando sua própria arte se dá bem, é um acaso – mas quando se dá mal, é um presságio. Acreditar na idéia da mágica deixa você se sentindo menos capaz cada vez que as qualidades de outro artista são enaltecidas. Então se um crítico elogia a obsessão de Nabokov pelo jogo de palavras, você começa a se preocupar que você não consegue sequer soletrar obsessão. Se o amor de Christo por processo é defendido, você se sente culpado por sempre ter odiado limpar seus pincéus. Se algum historiador de arte comenta que boa arte é o produto de tempos e lugares especialmente fertéis, você começa a pensar que você precisa se mudar para Nova Iorque.

Reconhecidamente, fazer arte provavelmente requer algo especial, mas o que é esse algo continua algo bem elusivo – elusivo o bastante para sugerir que pode ser algo particular de cada artista, ao invés de universal a todos eles. (Ou até mesmo, talvez, que tudo isso é nada mais que a variação do mundo da arte para a Nova Roupa do Imperador). Mas o ponto importante aqui não é que você tem – ou não tem – o que outros artistas tem, mas sim que não importa. O que quer que eles tenham é algo que é preciso para fazer o trabalho deles – não ajudaria você a fazer o seu trabalho mesmo que você tivesse o mesmo. A mágica deles é deles. Não falta em você. Você não precisa dela. Não tem nada a ver com você. Ponto.

EXPECTATIVAS

Flutuando lá fora em algum lugar entre causa e efeito, entre medos de si mesmo e medos dos outros,  está a expectativa. Sendo uma das mais complexas funções do cerébro (como o nosso neocortéx modestamente se chama), expectativas provêm um meio de fundir imaginação com cálculo. Mas é um balanço delicado – incline-se demais para um lado e sua cabeça se enche com fantásias impraticáveis, para o outro e você passa a vida gerando listas do que fazer.

Pior ainda, expectativas derrapam nas fantasias facilmente. Em um recente workshop para escritores, o instrutor labutou heroicamente para manter a discussão centrada nos assuntos do ofício (ainda não aprendido), enquanto escritores (ainda não publicados) labutaram igualmente para divergir o foco com questões sobre royalties, direitos cinematográficos e sequências.

Dado um pequeno núcleo de realidade e qualquer medida de otimisto, expectativas nebulosas sussurram que o trabalho irá elevar-se, que se tornará fácil, que vai se materializar. E de vez em quando, o céu se abre e o trabalho de fato se materializa. Expectativas irreais são fáceis de ter, tanto por necessidades emocionais e da esperança e memória dos períodos de maravilhas. Infelizmente, expectativas baseadas em ilusão levam quase sempre a desilusão.

Reciprocamente, expectativas baseadas no trabalho em si podem ser a ferramente mais poderosa que o artista tem. O que você precisa saber sobre a próxima peça está contido na última peça. O lugar para aprender sobre seus materiais está no último uso dos seus materiais. O lugar para aprender sobre sua execução está em sua execução. A melhor informação sobre o que você ama está no último contato com o que você ama. Colocado de maneira simples, seu trabalho é seu guia completo, compreensivo, uma referência ilimitada do seu trabalho. Não há outro livro como tal e ele é só seu. Não funciona desse jeito para ninguém mais. Suas digitais estão em todas as páginas e só você sabe como elas chegaram lá. Seu trabalho conta a você seus métodos, sua disciplina, suas forças e suas fraqueas, seus gestos habituais, seu desejo por compreender.

As lições que você está suposto a aprender estão no seu trabalho. Para vê-las, você simplesmente precisa olhar para o trabalho claramente – sem julgamentos, sem necessidade ou medo, sem desejos ou esperanças. Sem expectativas emocionais. Pergunte ao seu trabalho o que ele precisa, não o que você precisa. Então deixe de lado seus medos e escute do mesmo jeito que bons pais escutam seus filhos.

Usando o less como tail -f

Você sabia que o less pode ser utilizado como o tail -f ? Ou seja, o less pode sim ficar atualizando o arquivo. Isso é extremamente útil porque no less você pode ir e voltar no arquivo, fazer buscas e tudo o mais. No tail não, o arquivo passa diante dos seus olhos e você não pode fazer nada, tendo que sair do tail, entrar no less e executar uma busca.

Como fazer isso então ? Simples, basta executar o less assim:

less +F file.log

O less entrará em modo ‘tailing’, adicionando linhas na tela sempre que o arquivo recebê-las. Para interromper isso e entrar no modo ‘less’, onde você pode percorrer o arquivo, basta executar Ctrl+C e então fazer buscas, usar PageUp, PageDown, como quiser…

Para retonar ao modo ‘tailiing’ novamente, basta pressionar Shift+F.

Alguns atalhos utéis:

g - Vai para o começo do arquivo
Shift+g - Vai para o final do arquivo
f - Avança uma página
b - Retrocede uma página
/ - Executa uma busca daquele ponto em diante
? - Executa uma busca antes daquele ponto